sexta-feira, 12 de abril de 2013

Operação monte da forca...A máfia e os policias...


Quarta feira, dia de festa, havia uma festa da espuma numa das discotecas lá do sitio.
O Joy, o Tim e o Baltazar juntaram a equipa, falaram com mais dois ou três amigos para uma noitada das boas…
Houve jantar em casa do Baltazar, a equipa já se apresentou de calções, uns sacos de plásticos para meter o dinheiro e os documentos e umas toalhas para não sujar o carro. Jantaram bem, uns bifes de vitela que o Tim tinha trazido lá da sua aldeia, mais umas bebidas que os restantes levaram… E assim começava mais uma noite académica.
O jantar terminou às 23h, não eram horas decentes para irem para a discoteca, ainda era muito cedo!
Começaram a questionar-se: como iriam distrair-se até às 2h da manhã? Pois a essa hora a discoteca já estaria ao rubro, o ambiente seria bem melhor. “Fazer sala”, não fazia parte das doutrinas daquele grupo de amigos.
Então o Joy, como era costume e habitual, teve uma ideia muito interessante:
-Podemos ir para o “monte da forca”, apreciar os casais que por lá andam a dar as suas “trancadas”?
Baltazar de imediato responde: -Excelente ideia!
Os restantes, como de tantas outras vezes, nem foram tidos nem achados, iam e calavam-se!
O Tim tinha um carro novo, obviamente que queria levar o seu carro, pois a cada quilometro que fazia jubilava de alegria e emoção, isso fazia-o sentir-se importante no grupo. Eram sete pessoas, Baltazar também levou o seu carrinho comercial. Noutros tempos levava ele os sete, iam três à frente e quatro na mala, mas desta vez não seria necessário. Então lá foram em dois carros na direcção do monte da forca, local onde se situava o Estádio Municipal, era lá que os amantes faziam coisas interessantes durante a noite e ao Domingo à tarde jogava o Futebol Clube de lá do sitio.
Chegados ao monte, uma grande decepção os esperava, nem uma alma penada por lá estava. Eles percorreram o parque de estacionamento de uma ponta à outra, eles subiram com os Clios a lugares onde só os Jipes podiam ir, e nada! Nem uma alma penada, nem um ruído, nem rastos de ter estado por ali alguém!
A decepção estava mais que visível na cara dos sete amigos, mas o Joy não se deu por vencido, e aquele momento tinha de ser aproveitado. Dirigiu-se ao carro de Baltazar, retirou um pano enorme de napa que a mãe do Baltazar tinha lá metido para proteger o carro no tempo das geadas, de seguida foi ao porta luvas  e retirou uma pistola de fulminantes que o Baltazar tinha comprado numa feira popular onde tinham ido na semana anterior. O Joy conhecia aquele carro como se fosse dele. 
-Vamos fazer um filme, simulamos um assassinato, hoje treinamos, noutro dia voltamos cá e filmamos? 
Foi uma gargalhada geral, mas ao mesmo tempo foram convencidos pela espontaneidade dele.
-Vamos a isso. Disseram todos quase em coro…
O Joy teria de ser o vilão, ou seja, o gajo que tinham de matar. O Baltazar, o pistoleiro, pois era o único que até rebentava bombas de carnaval na mão.
A historia era curta e fácil, somente fazer algo parecido com os “ajustes de contas” nos filmes dos carteis da máfia.
- Chegam dois carros em alta velocidade, fazem uns piões para criar suspense, dão-se pontapés em todo o corpo e mata-se o gajo que traiu o grupo.  A cena teria de assegurar que aparecia “o Padrinho” para lhe dar um tiro, mesmo no centro da testa! Por fim enrolava-se o corpo na napa, que nunca cobriu o carro do Baltazar, colocava-se na mala e sumiam outra vez em alta velocidade, sem deixar qualquer vestígio!
Esta simulação não correu nada bem, todos se riam e achavam piada ao que estava a acontecer.
- Correu tudo muito bem, mas quando trouxermos as câmaras ninguém se pode rir! Depois enviamos para a Sic Radical e ainda vamos ter mais piada que os “Gatos Fedorentos”. Comunicou Baltazar à equipa.
Estavam todos reunidos no inicio da subida para o monte da forca, quando olharam para o lado e viram uma viatura muito silenciosa, a subir na direcção do local ideal, para ver as estrelas numa noite de luar. Dentro ia um individuo e uma loira, que parecia ser bem jeitosa, com lábios pintados de encarnado carregado, capazes de deixar bem caiado o pescoço de qualquer homem, que se aproximasse da sua boca enorme.
Houve ali um pensamento conjunto, os sete cérebros fundiram-se num só, onde a primeira ideia que lhes surgiu foi de imediato disparada pelo Tim:
- Vamos assusta-los, fazemos o filme perto dos gajos, que eles vão ficar cheios de medo!
O Tim dizer uma coisa destas! Não é normal, mas dessa vez foi mesmo ele que disse isto…
Baltazar impôs logo:
- Mas se vocês se rirem não mato o Joy!
Então pé no acelerador e lá foram os sete fazer o filme. Correu tudo como planeado, nem um sorriso, parecia mesmo real. 
Tão verdadeiro, que quando colocam o morto dentro da mala do clio comercial e arrancam a toda a velocidade, fazendo várias perícias como se fosse uma participação num rali, a viatura onde estava o casal a ver as estrelas que vagabundeavam no céu naquela noite, também saiu a toda a velocidade atrás deles! Naquele momento, para Tim e todos os que seguiam no carro com ele, o filme parece ter terminado. O Baltazar achou piada, aquela perseguição que estava a ser protagonizada pela viatura desconhecida, aumentava a adrenalina de Baltazar. Ao Joy era indiferente, pois ele era o morto, e depois de varias cambalhotas dentro da mala, de certo que o único desejo era poder sair. Eles passaram rotundas como se fossem rectas, iam acelerando cada vez mais, mas a viatura, que primeiro não passava de um casal assustado, agora era uma viatura capaz de fazer lembrar as perseguições do justiceiro. A perseguição durou alguns Quilómetros, a um dado momento Baltazar entrou numa aldeia,  seguiu por estradas mais duvidosas, segundo o pensamento dele iriam assustar o carro perseguidor. Assim aconteceu, finalmente livraram-se deste perseguidor de clios…
Depois de verificarem que já não havia perigo algum, nenhum rasto do justiceiro, num ponto da estrada onde não havia asfalto, depararam-se com um pequeno ribeiro a correr lado a lado com essa estrada e onde o carro poderia passar, mas seria com muitas dificuldades. Decidiram parar e elaborar a próxima estratégia, ao mesmo tempo recuperar o fôlego perdido!
-Meu Deus, em que merda nos metemos? Quem era o gajo do carro? Disse Tim completamente transtornado, com as mãos, pernas, dedos e dentes a tremer.
Baltazar, tratou logo de acalmar o Tim:
-Tem calma, não era um susto que queríamos pregar ao casal, assim aconteceu. Não te preocupes, pois não fizemos nada de mal…Vamos tirar o Joy dali de dentro da mala,  ele vai passar para o teu carro e assim não estamos a cometer nenhuma infracção. Isso sim é que é importante. Diz Baltazar com a astúcia de sempre, como se estivesse com a situação completamente controlada.
Ora então assim fizeram, Joy sai completamente atordoado da mala do carro, mas com uma cara de satisfação e sorridente, como se tivesse acabado de saltar de para quedas.
Tim deu meia volta com sua viatura e voltou a entrar na estrada asfaltada, enquanto Baltazar decidiu arriscar pela estrada desconhecida, o seu sentido de orientação de “rapaz do monte” não o havia de deixar mal, e de certeza,  mais à frente entraria na estrada principal.
Assim foi, depois de cem metros percorridos  em estrada de terra batida, logo viram as luzes da estrada principal. Estavam mesmo a entrar no cruzamento quando vêm dois carros da policia a passar em alta velocidade com as luzes e as sirenes ligadas.  Comentou de imediato com o colega, o Baltazar, com um sorriso maléfico na face:
-Será que vão para o monte da forca procurar provas do crime?! Hihihihi…
Seguiram então tranquilos para a discoteca. Estavam já na porta da entrada quando recebem um telefonema do Tim.
O Tim tinha feito o percurso inverso ao da perseguição, foram ficando cada vez mais descontraídos à medida que iam avançando. Na estrada reinava somente a calma e a tranquilidade de uma bela noite estrelada. Os olhos estavam atentos e amedrontados, mas não se viam vestígios da viatura assustadora.
Estavam completamente tranquilos, pois já avistavam a cidade e iam entrar na rotunda. Só havia duas direcções a seguir, a placa a indicar cidade e uma outra com a indicação monte da forca.
Foi então que, quando circulavam a pouco mais de vinte km/h e prescreviam a circunferência, que a rotunda assim  obrigava, de repente,  vêm surgir faróis por todo o lado apontados na direcção do carro em que eles circulavam. O Tim ficou  tão atrapalhado,  deixou de imediato o motor do carro parar, sem saber onde meteu o pé, se no acelerador ou no travão ou na embraiagem.
Perante aqueles cinco jovens universitários estava pintado um grande cenário, nem em pesadelos poderiam imaginar aquilo; eram seis viaturas da policia, quatro delas atravessadas de frente dos quatro lados do carro, mais duas que os observavam ao longe com focos . Os agentes tinham uma espécie de arma na mão que transpareciam ser capazes de acertar num pneu do carro a mais de 2 quilómetros de distancia. O medo subiu à cabeça de todos os ocupantes da viatura, já se imaginavam carbonizados pelas balas enfurecidas vindas daqueles policias gordos e barrigudos que costumavam fazer as rondas na cidade. Mas as luzes eram tão fortes, nem lhes permitiam avistar a mais de dez metros, não sabiam o que havia por detrás daqueles focos de uma potencia superior aos de um estádio de futebol.
Depois de quase um minuto de suspense e de pânico geral, ouvem uma voz vinda de um megafone, que dizia tal como nos filmes americanos.:
-Saiam do carro, sem movimentos bruscos, e coloquem as mãos em cima do tejadilho.
-Lembrem-se, nada de movimentos bruscos! Reafirmou de forma concentrada e aterrorizadora a voz entoada do megafone.
Ao verificarem que aqueles jovens estavam de calções, t-shirt e chinelos, os policias começaram a aproximarem-se deles. O Tim estava cada vez mais nervoso, amedrontado e aterrorizado, dos olhos dele escorriam lágrimas. O Joy estava calmo, por momentos até parecia estar a gostar de tudo aquilo que lhes estava a acontecer.
A policia aproximou-se, sem permitir que qualquer dos jovens tirasse as mãos do tejadilho, começou a revista-los um a um. Unicamente encontravam sacos de plástico com moedas e notas, dentro do carro também não havia nada além de umas toalhas e um cheiro a novo, normal um carro comprado à poucos dias.
Depois de uma rusga bem exaustiva, um dos policias pergunta:
- O condutor quem é?
O Tim estava afónico, não conseguia dizer nada, até que Joy lhe diz:
- Tim é para ti que ele está a falar…
Então a gaguejar muito, responde:
-  So…so…sou eu, Sr Policia!
- Documentos? Pergunta o policia.
- Estão na carteira, responde o Tim, mas não sei onde está! Responde, completamente bloqueado, o pobre e inocente condutor.
- Onde, carago? E o outro carro? Pergunta o agente.
Tim ainda tentou responder outra vez, mas o medo e o bloqueio mental eram de tal ordem que  não conseguia parar de chorar.
Como não estava a ver o fim daquele enredo, o Joy, virando-se lentamente, e fazendo uma cara de miúdo sério arrependido disse:
-Sabe senhor agente, nós não fizemos nada de mal…
Continuando a usar a palavra sabe, como se estivesse a tentar colocar a razão do seu lado.
-Sabe, nós íamos para a festa da espuma da discoteca e decidimos vir até aqui fazer uma brincadeirinha. Sabe que aqui é um “quecodrome”, então decidimos vir aqui fazer um filme e assustar o pessoal que costuma vir para cá fazer essas indecências!
De imediato, o agente estica a mão e dá um estalo com muita força na cara do Joy e diz espumando-se pela boca, ao mesmo tempo que também lançava perdigotos capazes de atravessar até um guarda chuva:
- Vocês sabem a merda que estiveram a fazer, vocês sabem que estiveram na eminência de levar um tiro do nosso colega! SABEM?
Naquele momento, todos tranquilizaram, pois aparentemente o policia já não os estava a ver como assassinos, tão pouco como mafiosos.
E o policia continuava a debitar com os decibéis bem acima do normal, bem superior ao do megafone do colega:
- Estávamos nós bem sossegados na esquadra a ver um filme e tivemos de vir para aqui numa operação relâmpago, porque estes meninos resolveram brincar! Vocês mereciam todos umas estaladas e dormir uma noite na esquadra…
Naquele momento aparece o senhor que estava dentro do tal carro que os tinha perseguido e diz:
-Eram dois carros, o outro carro tem de vir cá  para confirmar a historia… Afinal esse senhor também era agente de segurança pública e ocasionalmente usava aquele lugar para mostrar as estrelas a alguém.
O Tim a tremer liga a Baltazar:
- Por favor, por favor. Tens de vir aqui confirmar o que se passou! Vão-nos bater e prender…
Isto poderia assustar o Baltazar, mas ele tinha aquele paleio de advogado e sabia sempre as frases certas a aplicar nos momentos oportunos. Além de também querer fazer parte da historia. Meteu-se logo no carro com o intuito de salvar os amigos. Foi sozinho, o colega  recusou-se a ir, visto já se ter safado daquela aventura!
Entretanto enquanto esperavam pelo Baltazar, o policia que deu um estalo no Joy e o policia que gosta de mostrar as estrelas às meninas nas noites de lua cheia, afastaram-se, e foram conversar sozinhos. Todos os outros policias mantiveram as posições e aqueles olhares de cães enraivecidos, prontinhos para receber ordens. Depois de conferenciarem, o Sr agente vai na direcção deles e diz:
- Têm 1 minuto para sumir daqui! antes de me arrepender… e só espero que nunca mais se cruzem no meu caminho, pois serão fiscalizados até ao limite das multas…
Que palavras doces se tornaram aqueles berros do Superintendente Lopes. Logo se pisgaram e nem tempo tiveram para agradecer, nem tão pouco avisar o Baltazar que já não necessitava de ir lá salva-los.
Baltazar verificou que já vinham muitos carros da policia em sentido contrario, mas a curiosidade era tanta, ele queria saber o que realmente se estava a passar. Quando chegou à rotunda deparou-se com um cenário estranho; viu duas viaturas da policia, onde uma estava a dar energia à outra viatura, um dos carros não pegava.
O Baltazar estaciona o seu clio à frente das viaturas da policia e dirige-se aos senhores agentes, que pareciam meios atrapalhados:
-Sr. Agente, um colega meu ligou-me e pediu-me para vir aqui, vocês necessitavam de uma confirmação do condutor do Clio comercial branco.
Naquele momento, se o agente tivesse um bastão na mão, dava com ele nas costas do Baltazar, mas como estava desarmado, resumiu em poucos segundos e com poucas palavras de uma forma telegráfica a situação:
-Ponha-se a andar! jáááááá….. Vocês vêm para aqui fazer brincadeiras perigosas! MAL ESTÁ O NOSSO PAÍS COM ESTUDANTES COMO VOCÊS! AINDA NOS AVARIARAM O CARRO! E DEPOIS NEM LHES PODEMOS FAZER NADA! PORQUE O AGENTE NÃO TINHA COMO JUSTIFICAR À SUA ESPOSA O QUE ESTAVA A FAZER COM UMA LOIRA DE LABIOS PINTADOS DE VERMELHO NO MONTE DA FORCA ÀS 23H!
 
PS: Esta historia é baseada em factos reais, bem reais, assumo que era uma das personagens!

1 comentário: